Ponto pé de flor.

Aprendizagens em ziguezague.



Nasci e cresci numa cidade pequena do interior e se ainda hoje essa cidade é pouco nutritiva para um adolescente, imaginem há 30 anos atrás.

Era tão mau que eu aproveitava qualquer coisa para me ocupar e sair de casa. No início da minha adolescência decidi que queria aprender a bordar.

A minha mãe borda maravilhosamente e talvez por isso eu queria também bordar assim.

Aprendi muitos pontos. Alguns já serei incapaz de fazer, mas um deles ficou para sempre - o ponto pé de flor.


Muito difícil. A minha mãe estava sempre a corrigir:

- "Tem que ser juntinho. E tens que ir atrás e à frente. Só assim é que fica bonito."


Esta é a minha imagem preferida para descrever a forma como eu vejo o desenvolvimento. Para ficar sólido, bem desenhado e ... até eventualmente bonito ... temos que fazer este ziguezague. À frente e atrás ... à frente e atrás.


Mas é também uma boa metáfora para a escola e tudo o que ali se passa, não? Para que seja sólido, e consistente temos que ir à frente e atrás.

Porque já sabemos que vão existir muitos momentos em que estamos a seguir em frente e de repente voltamos atrás.

Porque continuam a demorar muito a sentar-se, porque não trazem o material, porque os pais ainda vêm pedir satisfação, porque é preciso mais reuniões, porque o governo isto ou aquilo.

E às vezes dá uma vontade de ficar lá trás!

Há uns tempos uma adolescente dizia-me ... "para que é que vou ficar feliz se depois já sei que vou ficar triste outra vez – é que esse movimento de sair de estar triste para feliz custa imenso."


Então e se já estivéssemos a contar com o ziguezague!?


Já se sabe que vai andar para trás e para a frente!

E já se sabe que é por isso que fica mais sólido e consistente!