Pudim de Páscoa.

É tempo de Páscoa e fiz um pudim.

Há muito que a Páscoa é para mim apenas mais um motivo para nos juntarmos, para ficarmos horas a preparar comida, a comer comida a arrumar comida.

Desta vez não houve ajuntamento. Mas fiz um pudim. Como alguém dizia, num tempo de tanta incerteza temos que manter o controlo nas coisas que conseguimos controlar. E então, eu fiz um pudim.


A minha técnica é antiga. Ponho açúcar no fundo de uma forma de alumínio, levo ao lume e lentamente vejo aparecer o caramelo que faço depois deslizar pelas paredes da forma enquanto ainda está quente e líquido. Coloco o preparado (receita simples de leite condensado) com raspas de laranja e já está. Simples. Eficaz. Saboroso

Na hora de desenformar sabe bem ver o pudim deslizar da forma para o prato de festa.


Tudo ótimo até ao momento de lavar a forma.

O caramelo está agora incrustado no fundo e parece que ficará ali, agarrado para sempre ao alumínio.

Há duas abordagens para lidar com este caramelo.

Uma é pegar na forma e esfregar vigorosamente. Se calhar até pôr água a ferver. E voltar a esfregar, agora desenfreadamente. É provável que alguns minutos (não mais do que 10) o caramelo que parecia duro como lava fria, se desvaneça.


Outra abordagem é esperar. Deixar a forma de lado. Pôr água fria e agitar. Deitar fora a água açucarada, e abrir a torneira para mais água fresca. Pouca. Apenas o fundinho. A cobrir o caramelo. Deixar repousar para mais logo. Durante a noite talvez. E assim, de manhã, levantamos a tampa e ... o caramelo desapareceu! Sem esforço, sem vigor no esfregar.


Hoje é Páscoa e o caramelo do pudim fez-me pensar em mudança. O que queremos mudar na nossa vida. Como fazer? Esfregar vigorosamente? Deixar a forma de lado?

Fiquei a pensar que de uma forma ou de outra, o caramelo acabará por desaparecer.

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