Quantos pixéis?

“- Escrevam neste post-it o que estão a sentir neste momento.”


(Depois colocamos todos os post-its na parede e organizamos por categorias.)


Primeira conclusão: mais palavras que remetem para mal-estar do que bem-estar.


Segunda conclusão: a palavra mais frequente – CANSADA!



Este é um exercício que uso para começar a conversa sobre a importância de usarmos palavras diferentes quando dizemos o que sentimos.


E começamos …. “ Porque é que usamos então tanto a palavra “cansada”?


A resposta que aparece mais vezes inclui: porque é o fim do dia, ou da semana, ou do período, ou do ano!


Quando investigamos mais um pouco acabamos por concluir que afinal esta palavra é usada em situações tão diferentes que mais parece um grande saco onde cabe tudo.


Digo que estou cansada quando afinal estou triste, ou desapontada, ou desanimada, ou até zangada.


Este fenómeno – como por exemplo, usar uma única palavra para expressar emoções diferentes – é designado por baixa granularidade emocional. Ou seja, quando falamos sobre as nossas experiências e nos referimos ao que sentimos, fazemo-lo de forma global e pouco precisa.


Este conceito de granularidade emocional foi desenvolvido por Lisa Feldman Barrett. Na investigação, esta maior facilidade em descrever com precisão a sua experiência emocional foi por exemplo associada a melhor estratégias para lidar com situações negativas.




É mais ou menos como os pixéis para as fotografias. Quantos mais pixéis mais resolução e quanto mais resolução melhor qualidade e maior possibilidade de manusear a fotografia sem perder o detalhe e a nitidez.

© 2019 Isabel Lage & Ana Sá | Proudly created with Wix.com