Aprender no século XXI

Recentemente, vi publicado num site relacionado com a educação esta imagem:














Estas são as características que um estudante (ou será antes um aprendiz) DEVE ter para se preparar para o futuro – era a legenda.


A minha reacção imediata foi – e como é que nós educadores (pais e professores) estamos a ensinar isso? Ou estamos a partir do princípio que estas competências se desenvolvem naturalmente? Ou estamos a contar que sejam os próprios alunos a perceberem que isto é relativamente óbvio e que devem fazê-lo e pronto?


Um conhecimento alargado e aprofundado do mundo. Isto é muito difícil! Nem com a internet isto se pode aprender de repente, sem orientação, sem desafio!


Fazer ligações interdisciplinares. Como? Se continuamos a ensinar a história e a geografia separadamente a não relacionar as duas matérias. Se continuamos a ensinar as invasões Francesas sem mostrar todo o mapa da Europa (ou do Mundo) e sem lhe dar um contexto. A não ser claro o descontentamento da população, a fome, a crise económica – motivos que a minha filha rapidamente percebeu que podia usar para justificar todas as convulsões políticas ou sociais desde os Gregos!


Pensar criativamente e criticamente. Na verdade isto parece-me redundante. O pensamento que não seja nem criativo nem crítico, fica com que elementos?


Comunica e colabora com os outros. No mundo de hoje isto parece-me uma inevitabilidade. Mas comunica de forma positiva? Ou seja, de modo a criar um ambiente em que o próprio e os outros gostem de estar? E colabora de forma eficaz? Ou seja, de forma a que os seus recursos e os dos outros sejam utilizados de forma produtiva?


Cria, avalia e utiliza informação. Aqui se é verdade que a prática leva à perfeição, então os jovens de hoje são mestres. A questão que fica é – que tipo de informação é que estamos a falar?


Career-ready (pronto para trabalhar?) e preparado para a vida. Mas seja qual for a idade não está já a viver? Como é que nos preparamos para uma coisa que já está a acontecer? E pronto para trabalhar? O óbvio seria agora eu dizer – mais pronto, impossível. Assim haja trabalho! Mas como nem sequer acredito muito nisso, parece-me melhor sublinhar que, com exceção de situações muito especiais, todos os indivíduos procuram o trabalho. Apenas não procuram todos o mesmo trabalho!


Tendo dito tudo isto, ainda assim concordo com a relevância de cada uma destas características. E mais ainda se as tomarmos como directrizes para a construção de programas de desenvolvimento de competências que facilitem a sua aquisição.

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