Trauma: Nunca; Adversidade:Sempre

Atualizado: 24 de jan.


Experimente fazer o seguinte: Segure uma garrafa de água com o braço estendido. Até pode ser uma garrafa de 33cl. Tem é que ter o braço estendido.

Parece fácil, certo?

Quase não pesa nada.

Espere! Não largue. Mantenha o braço esticado mais tempo.

Começa a pesar?

Fique mais um pouco.

Começa a parecer que tem um tijolo na mão?

A dor começa a aparecer?

Tem vontade de largar?


Agora experimente fazer o seguinte:

Segure a mesma garrafa e estenda o braço.

Agora a cada 15 segundos baixe o braço e pouse a garrafa durante 5 segundos. Repouse.

Parece mais fácil que o anterior?

Sente que poderia continuar durante mais tempo?

Sente até que o seu braço está a ficar com o músculo fortalecido?


Uso algumas vezes este exercício para mostrar a diferença entre o bom e o mau stress.


No bom stress existe esforço, mas é o repouso que permite fortalecer o músculo. É o stress da adversidade.
No mau stress é o prolongar do esforço que “queima” o músculo e que leva ao esgotamento, ao trauma.

Para haver aprendizagem e crescimento tem que haver adversidade, sim. É ela que permite aprender a lidar com a frustração e com isso exercitar o músculo da resiliência.

E também este músculo é exercitado com o repouso. Com o colo. Com “Vais conseguir, vais ver!”


Já o trauma é dispensável. O trauma “queima” os músculos do tecido emocional. Aqui não há descanso. Pelo contrário, há o desassossego da insegurança e do abandono.

Dentro da nossa cabeça passam diferentes versões do “Não sou suficiente” num murmúrio que teimará em deixar de se ouvir.





Photo by @isabellage