O Efeito Celebridade

Há já algum tempo atrás li num editorial de uma revista uma história que passei a recordar como o “Efeito Celebridade”.


Era mais ou menos assim. Numa altura em que era (ainda mais) famosa, Britney Spears ia fazer uma visita à redacção dessa revista. A editora-chefe (e autora do editorial) começou por ficar satisfeita com esta visita, mas foi-se progressivamente sentindo mais e mais entusiasmada e até ansiosa com a chegada desse momento.


Esta reacção seria perfeitamente normal, diríamos nós (e ela), uma vez que ia conhecer uma celebridade. Mas ela não estava a achar assim tão normal! Afinal não gostava particularmente da Britney Spears e não conseguia por isso explicar todo aquele entusiasmo e até nervosismo.


Até que percebeu! O seu entusiasmo não era porque ia conhecer a Britney Spears! Toda a expectativa afinal era porque a Britney Spears a ia conhecer a ela – a editora-chefe!


Uso este “Efeito Celeridade” muitas vezes para me lembrar que nem que seja perto de uma celebridade, a tendência é para me considerar sempre a pessoa mais importante. Isto significa que vou olhar para o mundo à minha maneira, vou responder de acordo com a minha história e vou aceitar apenas o que para mim é … aceitável!


Numa sala de aula com 30 alunos pode ser muito difícil dar todo o protagonismo a cada um dos alunos individualmente. Será ainda mais difícil quando esse número se multiplica por 6, 7, 8 ou 10 turmas!


Então e se o professor for essa celebridade!? E se for o professor a entrar na sala e a assumir esse protagonismo? E se o professor tiver sempre presente “eu sou uma celebridade”!? Que impacto teria?


Será que os alunos iriam ser contagiados pelo “Efeito celebridade”, tal como a autora do editorial e começar a sentir entusiasmo e expectativa de estar junto daquela celebridade?


Qual seria o impacto no seu comportamento na sala de aula?

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